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riscos_e_rabiscos

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* Há coisas que me surpreendem... *

Na minha turma em que dei aulas hoje, fiz a explicação de um verbo no quadro. Para clarificar melhor a explicação, utilizei diferentes cores nos sublinhados e nas setinhas.

 

Pedi aos alunos para registarem no caderno e, logo de seguida, um deles pergunta-me se podia utilizar caneta vermelha. Respondi que sim e expliquei que só deveriam usar a caneta vermelha para títulos, setinhas, sublinhados e jamais para escrever textos, por exemplo, pois era considerado falta de educação. Muito prontamente, uma aluna diz-me, espantada, que a professora titular não os deixava usar a caneta vermelha porque era sinal de má-educação!

 

Caiu-me o queixo ao chão - que apanhei disfarçadamente - e respondi que a professora na aula dela faria como bem entendesse. No entanto na minha dava-lhes autorização para usarem a caneta vermelha assim como outras cores, nas situações que tinha mencionado. 

Really? Escrever um título a vermelho é falta de educação? Nunca o foi! Aliás, na minha primária escrevíamos os títulos das redações - sim, era o que chamávamos às composições - por indicação da professora.

 

Para encerrar o assunto, e porque sei que os miúdos partilham da mesma paixão que eu de ter várias canetas e de várias cores, dei-lhes autorização para usarems as cores que quisessem nas minhas aulas em tudo, menos para escrever textos ou frases.

 

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Afinal Se Calhar Até Nem Somos os Últimos

 

 

É verdade! Por mais inacreditável que possa parecer, existe alguma coisa em que não somos os últimos, em que não estamos lá bem no fundinho da lista.

 

Estava eu a almoçar enquanto ouvia os acontecimentos diários nacionais e internacionais num qualquer telejornal da hora de almoço, quando oiço uma notícia, simples e inócua, mas que a mim me deixou de orelha em pé.

 

Realizou-se um estudo no Canadá, cuja conclusão indicou que o uso da caneta vermelha nas correcções de testes e trabalhos de alunos têm uma conotação negativa.

Ah pois é! Mas isso já alguns professores Tugas sabem há algum tempo e não foi preciso fazer nenhum estudo sobre canetas, as suas cores e conotações implícitas e efeitos nos alunos. Não precisamos de gastar os últimos cobres dos contribuintes Tugas para fazer um qualquer estudo sobre canetinhas. Afinal somos um país em crise e à beira da recessão económica. Pelo menos é o que dizem…

 

Mas voltando aos objectos escritores, dos quais eu até sou muuuito apreciadora… Eu ainda sou do tempo em que os nossos orientadores de estágio – sim, eram orientadores e não tutores como modernamente se designam – nos explicavam as “desvantagens” e efeitos psicológicos negativos exercidos nos alunos aquando da correcção de testes e trabalhos com a famosa… caneta vermelha!

 

A bem da verdade, nunca gostei muito de canetas vermelhas, sempre fui uma pessoa, digamos, alternativa. Não é que não goste de vermelho, que é a cor da paixão, do coração e do maior clube de futebol português. Não. Apenas acho que as correcções feitas a outras cores dão mais “cor” e “alegria” ahahahahaha às pobres folhinhas brancas monotonamente escritas a preto ou azul.

Quantas e quantas vezes, as canetinhas coloridas não preenchem aquelas folhinhas de teste ou trabalho com conteúdos tão parcos? E que bem que ficam os certos, os errados e os comentários a cores alegres, preenchendo o vazio das folhas!

 

Alunos meus não levam com a canetinha vermelhinha. Aqui a teacher, recorre ao seu estojo repleto de canetas coloridas, enfia os deditos lá dentro e saca qualquer umas das suas amigas escritoras sempre que precisa de “colorir” testes e trabalhos.

 

E só para matar a curiosidade, devo contar-vos que as canetas que mais utilizo são, verdes, roxas, rosas ou castanhas. Alternativo, não?